Igor Rickli: “O barato da vida é se reerguer”

Em entrevista, o astro fala sobre desafios e o novo trabalho em Apocalipse

11/01/2018 - 20:12

Igor Rickli emenda seu segundo protagonista na RecordTV

Com as batalhas da vida, Igor Rickli sabe lidar, sem dúvida. No trabalho, então, nem se diga. Ele acaba de emendar dois protagonistas na RecordTV e está feliz da vida. É, ele mal se despediu do vilão Zac, de O Rico e Lázaro, e já encara Benjamin em Apocalipse. Queridinho do público, o ator afirma que a fórmula para o sucesso é a humildade, acima de tudo. “Não depende só do talento, exige vocação também. E isso está em saber se portar, se dedicar e ter respeito pelos profissionais que chegam para gravar a novela 7 horas da manhã, e por toda a equipe”, compreende.

E foi esse comportamento que fez Igor chegar aonde está. Ele iniciou as atividades aos 6 anos, com aulas de atuação na igreja que frequentava, no Paraná. Anos mais tarde, foi presenteado com a representação de Jesus Cristo nas peças Jesus Cristo, Superstar (2014) e Paixão de Cristo de Nova Jerusalém (PE, 2015-16).

E, caminhando lado a lado com Deus, segue sua própria religiosidade: “Minha religião é o amor e o respeito que carrego desde criança por ensinamentos de meu pai, Ivan Christoforo”. 

Tais valores, sem dúvida, foram a chave mestra nas conquistas do artista e, principalmente, na construção de seu relacionamento com a cantora Aline Wirley, com quem é casado desde 2015. A bela, aliás, está arrebentando também na volta da banda Rouge. “Além de minha alma gêmea, ela é minha melhor amiga e parceira de caminhada”, declara o astro, que, junto da amada, tem o pequeno Antônio, apelidado pelos dois de Caramelo.  

Vamos ao bate-papo?

TITITI – Apocalipse é uma superprodução, de verdade, não?
Igor Rickli
– Sim, e isso vai pegar o público de forma surpreendente. As pessoas adoram uma catástrofe (risos). Vamos falar a verdade, eles não gostam de ver maldade, mas sim de ver aventuras, as coisas acontecendo, sentir grandes emoções... Então, a novela vai ter um componente bem forte com o público.

E a irmã Isabela (Paloma Bernardi) vai dar uma rasteira logo no Benjamin, né?
Sim!!! Mas o anticristo (Sergio Marone) não é mole... Ele vai seduzir a irmã dele, a Zoe (Juliana Knust), o André (Sidney Sampaio). O mais legal é que Benjamin não vai cair nessa! A integridade dele é a melhor parte de tudo. Ela mostra que existem valores e ele segue isso, sem se corromper. Ele pode ter erros no começo, como ingenuidade e prepotência, mas não é corrompido, por ser do bem e acreditar no que é certo. 

E na vida, suportaria uma traição?
A gente tem que suportar, até porque todo mundo tem um lado errado dentro de si, ninguém é perfeito. Em algum momento, alguém vai se corromper, e isso pode prejudicar. Porém, a gente cuida para que não aconteça. Quando vejo pessoas que têm potencial de fazer algo errado, já chego junto e falo: ‘Irmão, não faz m..., hein? Presta atenção!’ E isso ajuda. Não adianta ficar se perguntando como a pessoa te traiu, porque isso é ingenuidade! É claro, alguém vai te dar uma rasteira algum dia, por causa do caos louco do mundo atual.

Já passou por isso? 
Já! E sou ótimo em perdoar, sou chamado até de trouxa pelos meus amigos, porque perdoo mesmo... Passa e viro a página. O que atingiu no momento, magoou, mas, com certeza, me fortaleceu e ensinou muita coisa. E não estava em mim, estava na pessoa que fez o ato. Então, o problema era com ela e não comigo. 

Acha o mal sedutor? 
Extremamente, porque senão a gente 
veria o que está acontecendo. Mas não acredito em energia positiva e negativa. Para mim, tudo é complementar, uma coisa precisa da outra. Temos apenas que aprender a respeitar as polaridades. Quando acontece uma imposição, a gente perde o equilíbrio.

Você tem uma religião?
Sou muito espiritualizado, acredito em Deus e gosto de estar em contato com algo divino. Mas minha religião é o amor e o respeito. Isso meu pai ensinou quando eu era criança e é algo que quero passar para o meu filho também. 

Acha que o mundo pode estar chegando, mesmo, à sua reta final?
O mundo está mudando o ciclo, dando uma virada. O que vivemos hoje já aconteceu milhares de vezes há não sei quantos mil anos... É cíclico. Talvez a gente não continue, mas esse mundo vai estar sempre aqui presente. E espero de verdade que, se existir um novo ciclo, seja de mais clareza e compaixão, com mais verdade e menos hipocrisia.

Qual seu maior desafio nesse trabalho?
O principal é ter saúde pra aguentar a batida frenética (das gravações diárias). E, claro, estar com a cabeça, o corpo e a mente em dia, para poder coordenar tudo direitinho. Meu personagem exige muito de mim, então é vital estar bem, com os pés no chão, sem arrogância, prepotência, e, muito menos, falsa humildade. O maior exercício é manter a concentração no trabalho, que é o que gosto e quero fazer. E que esse trabalho dê certo e todo mundo saia feliz, inclusive quem assiste.

Enquanto é agraciado com um trabalho atrás do outro, existem atores também talentosos e sem emprego. Como entende isso?
Existem muitas outras questões envolvidas. Estamos vivendo uma transformação na nossa carreira, tudo está se reinventando. Não existem mais os atores que estavam acostumados com alguns contratos, e isso é uma nova cultura, um novo tempo para todo mundo. Existe uma construção gigantesca pra você conseguir trabalhar; não é simplesmente ‘tenho talento, vou lá, dou uma pinta, um beijo e tchau’. Tem que saber como permear por esse meio e fazer a coisa acontecer, pois isso vai te manter trabalhando. E não adianta esperar apenas vitórias, porque uma hora ou outra você cai, e o barato da vida é se reerguer.

E se hoje fosse o último dia de sua vida, como a novela aborda?
Eu ficaria com as pessoas que mais amo nesta vida: minha família! 

E por falar em família... Sua relação com a Aline é linda, não?
A Aline é muito mais do que minha esposa... A gente ri, ora, fala das nossas fraquezas, dos defeitos... não tenho nada pra esconder dela, e nem ela de mim. E temos um filhote, né? Ele tem 3 anos e é tão espirituoso! É meio moreno, meio negro, meio branco... acho isso genial, sabe? Serve pra mostrar que a gente é isso mesmo: uma mistura! Sou muito feliz com a vida que tenho, com a companheira que encontrei, com o filho que Deus me deu... Sou um cara de sorte! Antigamente não conseguiria valorizar como hoje, mas conforme a gente amadurece, saca que tem coisas com valor, e outras nem tanto. 

E a volta do Rouge, hein?
Não, é? As Rouges estão bombando, gente (risos)! Foi impressionante mesmo, porque ninguém esperava esse boom que ia ser de esgotar ingressos em uma hora, ter 250 mil acessos pra comprar. Agora as meninas (Aline, Karin Hils, Fantine Thó, Li Martins e Luciana Andrade) estão gravando  novas músicas, já vão lançar, e fico muito feliz com o sucesso delas! 

Acompanha sua esposa em tudo?
Desde sempre, como grande incentivador! Cheguei a produzir dois shows pra ela, tirando do bolso, ali, suadinho. Mas falei: ‘Vamos trabalhar!’ Na época, estava muito difícil, mas o Rouge trouxe uma maré de sorte, de coisas boas e resgate! As meninas fizeram muito sucesso e terminaram de uma forma esquisita. Então, está sendo lindo ver como estão se amando agora, se curtindo... E o público vai ao delírio, gente, vocês não têm noção!  

E o seu lindo Caramelo? Ele gosta de ver a mãe? Canta muito as músicas delas?
Ele canta algumas coisinhas, se amarra demais. Vê a mãe nas apresentações cantando e sabe quando é a parte dela, fica superempolgado! E vai recentemente a um backstage... Acho um barato porque ele cresce em backstage, né? Vai à Record comigo, vai aos shows da mãe... É um ratinho (risos). 

Pensam em ampliar a família?
Pensamos, agora, na verdade, em adotar. Até porque a Aline vai trabalhar muito daqui para frente. Então, nesse momento, não dá pra engravidar.  Nosso plano é, se Deus quiser, conseguir adotar, mas isso é uma burocracia, não é?... E aí, depois, mais pra frente, ter mais um filhinho.